quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Rosa murcha

O luar recai sobre a rosa sobre a mesa. Rosa essa que foi um belo botão. Vermelho. Vibrante. Rosa que veio com um sorriso, um carinho de um olhar atencioso. Mas, é rosa. É chama. Queima. Consome. Morre.


Vejo ali, algumas pétalas caídas. Água turva. Esverdeada. E o luar continua sobre a rosa, que resolveu abrir aos primeiros raios brilhantes do sol e deixou-se ir pela luz prata da lua.

O vermelho já não vibra mais. Não agride. Não sufoca. Entristeceu-se. Ainda mais nas pétalas sobre a mesa. Já foi-se a graça, que ainda continua nas que estão mais acima, presas.

O observador pensa: trocar a água? Podar o caule? Ou apenas jogar fora? A rosa que era bela já não o agrada mais. Incomoda-o. Angustia-o.

Como algo que era tão belo e frágil passa, rapidamente, para algo que enjoa pelo simples fato de existir? Mas a rosa não tem culpa. Nem o observador. Nem mesmo o tempo, responsável pela deterioração.

No fundo, não há culpa ou culpados. Há apenas um vazio a ser preenchido com uma nova rosa ou um novo observador.

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