segunda-feira, 20 de abril de 2009

Inquietude

Há tempos que algo me deixa inquieto. Tento encontrar o que me perturbar em meio ao caos das experiências que só se aglomeram. Às vezes, penso estar a um passo de ver, mas um barulho muda meu olhar de direção e me deparo com o nada. Vasculho de forma incansável minha mente, em busca da resposta.

Não creio que seja algo banal, mas também não deve ser o enigma de minha vida. Acho, simplesmente, que é mais um agente modificador de um processo que está só no começo. Tanta coisa aconteceu nos últimos 12 meses. Elas foram fontes de inquietude, ansiosidade, medo, aflição, felicidade, tristeza ... Infinitas reações em um corpo e mente em constantes modificações. Ainda bem.

Acredito que esta mais recente tem relação com um novo mundo que me esperar. A ampliação concreta de meus horizontes. Novas culturas, novos costumes, novos ares. Um novo mundo que me lanço ao mar para descobrir. Quem sabe chegarei às Índias, numa terra já conhecida por alguns, ou desbravarei novas terras, na busca de um novo eu.

Eu este que já desaponta no horizonte. Que me surpreende a cada dia. Um eu por quem me apaixonei (relato mais abaixo – post antigo) e que qualquer um poderá se deixar levar.

Só sei que hoje olho por minha janela na busca desse novo universo ao qual estou inserido, mas que ainda não descobri de fato.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Entre safra

Vinha me perguntando por onde anda minha inspiração. Do nada, simplesmente parei de escrever neste blog. Os fluidos textos foram minando, sumindo. Houve semana que escrevi textos a rodo, esperando um novo dia para ser publicado. Havia uma ordem.

Hoje, está sendo difícil tirar palavras de minha mente, de meus dedos. Pior que não consigo visualizar a fonte de tal bloqueio. Será que a musa inspiradora se afastou de tal forma que não sei mais o que expressar?

Devo estar com o foco em outras coisas: trabalho, pós, férias, vida. Mas isso tudo poderia ser fonte para palavras tortas. Romantismo até tive estes dias, em bobos versos de uma tentativa frustrada. Vai ver que o silêncio foi quem me calou. Não saber o que me espera do outro lado. Gostou? Riu-se? Achou bobo demais?

Enfim, sei que faz parte. Por isso que vou continuar. Aqui, ali e acolá. O que importa é tentar, seja em escrever versos quase infantis, seja na mais sincera vontade de amar.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Apaixonado

Deitei-me com uma sensação estranha. Não sabia ao certo o que passava por minha cabeça. Um turbilhão de pensamentos me roubava o sono. Olhava a noite avançar pela janela. O luar já havia corrido quase toda a penumbra do quarto. Pude ver claramente o caminho feito pelas estrelas. De tão longo o pensar, adormeci. Os primeiros raios de sol que invadiram o quarto me fizeram despertar.

Ainda cheio de sono, com a luz dourada que batia na parede e caia macia sobre a cama, senti algo percorrer meu corpo. Nada externo. Apesar do frio da manhã, que teimava em levantar, estava com aquele friozinho no estômago, que muitos comparam a borboletas. Tudo estava confuso como na véspera. Cambaleando de sono, levantei e fui beber uma água. Na volta, parada estratégica no banheiro, pois ainda poderia dormir mais, afinal era sábado e não tinha motivos para levantar cedo.

Foi ai que tudo se revelou. Olhei-me no espelho. Profundamente. E ali, na minha frente, estava o motivo da sensação estranha. Forcei um pouco a vista e vi o porquê de sentir frio na barriga já ao amanhecer. Tinha me apaixonado por mim mesmo. Não uma coisa narcisística, de do querer a mim, de me achar o mais belo de todos. Tudo naquela imagem me atraía, me despertava carinho. Queria tocar, pegar, apertar, sentir.

Voltei para a cama e comecei a visualizar cada parte de meu corpo. Não acreditava que estava apaixonado por mim mesmo. Ainda mais sabendo de minhas qualidades e meus defeitos. Mãos, pés, barriga, braços. A frustração era depender de um objeto frio para por me olhar no olho. Interagir com minha alma.

A medida que me estudava, começava a ver defeitos. Mas nada que me desagradasse. A natureza imperfeita é que cria o charme. A imperfeição dos acidentes naturais é que traz a beleza das paisagens mundo a fora. Sei que nada do que enxergava me causava ojeriza. Estava encantado com as formas. Vi tudo minuciosamente. Queria me conhecer, me reconhecer.

Enquanto os aspectos físicos tomavam conta de meus impacientes olhos, meu cérebro ardia na avaliação de minhas virtudes e de meus defeitos. Passei, a partir daquele momento, a me conhecer melhor. Conseguia ver até onde iria minha limitação. Metas, planos, vontades. Tudo isso foi estudado de perto. Eu e eu, numa discussão arrebatadora, questionávamos a mim tudo o que eu sentia, o que queria, o que desejava.

Abracei-me e voltei a dormir em minha companhia. Não queria mais nada além de mim, naquele momento. Vi o quanto eu valia a pena e o quando eu deveria lutar por mim mesmo. E aquele tanto de eu e de mim não me passava a ideia de egoísmo. Sabia que era necessário aquele encontro para poder oferecer aos outros o melhor de mim: um eu apaixonado por mim mesmo.

terça-feira, 31 de março de 2009

Moska com dois Xs

É, sei que o título saiu estranho, mas há uma boa explicação. Fui num show, na última sexta, de uma promessa da música brasileira. No alto de seu banquinho e com 22 anos, a franzina paulistana Maria Gadú está encantando a todos que a ouvem. Ainda meio sem jeito frente ao público, ela mostra toda a sua magia ao pegar o microfone e fazer o que sabe bem: cantar, encantar.

A timidez ou a falta de jeito não diminuem em nada sua qualidade vocal. Creio que faz parte de sua composição de artista. O jeitinho de menina, as pernas dobradas sobre o banco, a forma como toca o violão. O show intimista, no qual houve apenas o acompanhamento de seu percursionista e a participação de um amigo cantor, o Leandro Leo.

Lembro bem de ter ido esperando uma coisa. Mas me enganaram. Haviam me dito ela era estilo Ana Carolina, quando a pessoa estava bem equivocada. Maria Gadú está em outro estilo, mais para um Paulinho Moska de saias. A cantora me remeteu aos shows do Moska que acompanhei. Foi o primeiro nome que me veio a cabeça com os primeiros acordes e versos. Depois, com o decorrer de sua apresentação, passaram outros nomes pela cabeça, como Lenine e Céu. Tanto que fiquei surpreso ao ouvir Gadú cantar uma música de Céu, Rainha.

Ah, quase ia esquecendo de dizer que a moça é a compositora da maior parte de seu repertório, que inclui versões um tanto curiosas, como o Baba Baby, da Kelly Key. Gadú canta também composições de amigos. As letras falam do cotidiano da vida, principalmente, dos relacionamentos. Linda Rosa, uma das que mais gostei, fala exatamente disso, dos “pobres desses rapazes, que tentam lhe fazer feliz”. Há músicas de batidas mais rápidas também, passando por um samba, por um soul. Mas uma versão que achei bem interessante foi de Ne me quitte pas, quando Gadú pediu desculpas antes de começar a cantar os primeiros versos. Motivo: o show foi no auditório da Aliança Francesa.

Ela ainda está para lançar seu primeiro CD. Fiquem atentos a esse nome. Principalmente aqueles que puderem ir conferir as próximas apresentações de que tenho conhecimento: dias 12, 19 e 26 de abril, na Cinemateque, em Botafogo.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Ausência

Fiquei tão ausente de mim mesmo estes dias que não me permiti escrever tortas linhas. Sentia faltar de escrever, de pôr no “papel” as minhas questões e impressões da vida, do mundo ao meu redor. Mas essa ausência não foi provocada por nada em especial. Foi apenas um tempo necessário para que eu pudesse me afastar de mim mesmo e enxergar certas coisas que estavam influenciando diretamente as minhas atitudes.

O tempo é o melhor remédio para muitas coisas e foi esse tempo que eu precisava tomar para ter contato comigo mesmo. Poder ver meu interior e tentar solucionar aquilo que me afligia. Não sei se conseguir atingir o cerne da questão, mas consegui vislumbrar saídas e entradas de coisas ruins e boas. Da construção de um novo eu: fortalecido, decidido, corajoso.

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Nesse meio tempo, minha visão passou por tanto lugares. Locais novos e inexplorados da cidade. Filmes que encantaram os olhos e apaziguaram o coração. Alguns deles até relevadores dessa personalidade conhecida em minha ausência. No resumo da ópera, foram tantas coisas que não sei nem por onde começar.

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Falemos então de filmes, resumidamente, óbvio. Nesse meio tempo, vi quatro filmes muito bons, sendo dois no cinema e dois na TV.

1- Milk – A voz da igualdade, de Gus Van Sant, pelo qual o Sean Penn ganhou o Oscar de melhor ator. O filme não trata apenas dos direitos dos homossexuais numa São Francisco da década de 70. Ele trabalha com direitos humanos de uma forma geral. O filme narra a história de Milk, um gay nova-iorquino que se muda para São Francisco e acaba entrando na política para ajudar os moradores de seu novo bairro. Tudo lá foi fato real, inclusive o assassinato do prefeito e do próprio Milk, que acabou por mudar a rotina de toda uma cidade em pelo crescimento.

2- Quem quer ser um milionário?, de Danny Boyle, é o grande merecedor do Oscar desse ano. Roteiro simples e direto sobre um amor infantil que dura anos. De origem pobre, como muitos garotos na Índia, Jamal é mais um tentando ganhar dinheiro honestamente. Selecionado para participar de um programa de perguntas que distribui até 20 milhões de rúpias, Jamal responde as perguntas sempre relacionando a fatos de seu passado, da infância à véspera do programa. Com uma estética que se assemelha ao Cidade de Deus, o filme é mais leve e descontraído. Mereceu todas as estatuetas, exceto a de fotografia, que merecia ter ido para o Benjamin Button.

3- O amor não tira férias, de Nancy Meyers, narra a história de duas mulheres que sofrem de amor. Uma está inscrita num site sobre troca de casas para período de férias. A outra passa por uma decepção e procura uma fuga para seus problemas. Mas, como o próprio nome da comédia romântica diz, não há férias. Uma sai da fria Londres, em pelo inverno, para passar duas semanas na casa da ensolarada Los Angeles. Nesse período, tudo na vida delas muda. Até porque podemos considerar mais um milagre de Natal, período do ano em que se passa a história. A americana, vivida por Cameron Dias, acaba conhecendo o irmão, Jude Law, da britânica, interpretada por Kate Winsley. Esta, por sua vez, conhece o melhor amigo do ex da americana, Jack Black (ou seria Blergh). Sei que me identifiquei com traços dos quatro personagens.

4- P.S.: Eu Te Amo, de Richard LaGravenese, traz a história de Holly, uma mulher apaixonada pelo marido que morre de forma inesperada, mas que deixa várias cartas para ela, mostrando que ela deve seguir a sua vida e finalizando com o que dá o nome ao filme. Com uma trilha sonora impecável, você acompanha os passos de uma mulher que não consegue superar a dor da perda, mas que busca forças para seguir um novo caminho. Para quem não está no espírito da coisa, melhor não ver, pois lágrimas certamente irão rolar. As músicas as conduzem. O drama todo, mesmo em sua leveza e sutileza, conduz para tal. Holly recebe apoio da mãe, uma mulher mais fria pelo sofrimento de ter sido abandonada pelo marido, a irmã louca, de uma amiga tarada e de uma outra, mais centrada. Os sorriso acompanham os sorrisos da personagem, assim como as lágrimas. Mas é inegável que o filme, apesar de simples, é perfeito em sua proposta de sensibilizar.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Direitos & Deveres

Varias coisas, lidas e vistas, me fizeram querer escrever sobre este tema. Não sei se já o abordei de alguma forma aqui, mas não há como escapar dele. Até porque tudo em nossa vida passa pelos nossos direitos e, principalmente, sobre os nossos deveres.

Admiro os que levantam a bandeira dos nossos direitos, dos que falam dos deveres dos outros. Mas, e dos nossos deveres? Isso é quase nunca. Raramente, vejo alguém com essa bandeira em punho, flamulando sobre as nossas cabeças. No máximo, vejo alguém dizer que é dever do Estado, do governo etc. Mas, quero ver alguém levantar e peitar a luta pelos nossos deveres.

Um bom exemplo disso é o direito que temos de ter a cidade limpa e o dever que a prefeitura tem de manter o lixo no lixo. Afinal, pagamos nossos impostos. Mas, onde fica nosso dever de cidadão de zelar pelo espaço público? Teríamos nós o direito de jogar papel no chão ou de deixar os “restos” de nossos cachorrinhos pelas calçadas da cidade? Creio que não. Ou melhor, sei que não.

Mas vou tentar entrar em outra seara mais delicada. Porém, seguindo para o lado dos direitos. Como o direito que temos de ficar vivos. Espantou-me a Igreja Católica (Hipócrita) Romana excomungar a mãe e os médicos envolvidos em um aborto feito numa criança de nove anos que estava grávida de gêmeos. O ocorrido foi em Recife, PE. A menina engravidou após ser violentada pelo padrasto.

O ápice do caso com a excomunhão é uma mostra de como a Igreja é conservadora para umas coisas e conivente com outras. A garotinha (que repito: foi violentada) corria risco de morte. Seu corpo, ainda em formação, não teria como abrigar uma gravidez de risco, por sua idade e por serem dois bebês. Mas a Igreja preferiu fechar os olhos para a violência que assola nosso país, principalmente a velada e que se dá dentro de casa, e castigar o direito à vida que a menina possui.

Queria saber o posicionamento do tal arcebispo de Recife se fosse o caso de umas das crianças de Catanduva, no interior de São Paulo. Além da violência físico-psicológica que elas sofreram, ainda foram exploradas sexualmente. Será que ele manteria o mesmo posicionamento? O que me deixa mais estarrecido é o fato da Igreja ignorar todo o problema e se focar em uma coisa tão efêmera, frente à problemática geral da violência contra crianças e adolescentes.

Gostaria de esclarecer que o que me motivou a escrever este pequeno ato de protesto contra a hipocrisia de nossa sociedade foi o fato de estar cansado de ver Direitos Humanos sendo violados enquanto nós, me incluo nessa, ficamos de braços cruzados. Todos nos revoltamos quando lemos que bandidos jogaram um casal de um paredão a beira-mar no Rio de Janeiro, mas consentimos que outros atos violentos (alguns já relatados aqui) sigam em frente sem a menor consequencia (olha a reforma ortográfica) para os seus causadores.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Entre confetes e serpentinas


Passado o carnaval, todos falamos do Oscar. Mentira. Não se ouviu um comentário nesta cidade sobre as estatuetas. O único que vi foi um cara travestido de Kate Winslet. Nada mais. Nem fantasia dourada foi usada nas ruas de uma cidade que passou a reinventar o carnaval de rua.

Sim. Milhares de pessoas tomando conta do asfalto e do concreto da Cidade Maravilhosa. Todos se renderam. Ou melhor, quase todos. Há quem não goste de folia. Sorte dos que gostam, pois são maioria. Maioria esta que pulava animadamente atrás de qualquer batuque. Valia até o teto do metrô.

Não dá para dizer qual o melhor bloco, o melhor momento. Afinal, foram 10 blocos em uma “pequena” área da cidade. Consegui me concentrar em apenas uma banda da Zona Sul, e foi aquela que se estendia para o Centro. Grandes blocos. Grande folia. Não tenho idéia de como estava o outro lado do morro. Passei longe. Fui longe.

Minha surpresa foi encontrar rostos inesperados em diversos momentos. Hiláááááário. As fantasias então. Alguns estavam irreconhecíveis. Mas a diversão foi garantida. Ainda mais com uma loira gelaaaaada. No calor que fez, foi a única coisa capaz de esfriar um corpo, além do afanar das pedras de gelos dos ambulantes que teimavam em se infiltrar e atrapalhar os blocos.

Mas queria terminar este post com um pequeno protesto. A alegria estava espalhada, mas muita gente não sabe ainda que tem que saber brincar para descer para o play. Não é porque colocou uma fantasia que já pode chegar bem. Tem que entrar no espírito, ainda mais se for querer seguir bloco com empurra-empurra. Não rola reclamar de pisão no pé, de empurrão. Se for fazer isso, pode colocar o rabinho entre as pernas e tomar o rumo de casa. Aluga um DVD.

Quantas confusões bobas eu vi e senti por causa de uma casualidade e fatalidade de bloco. Multidão dá nisso. Quase apanhei em um bloco. Vi uma amiga ser empurrada injustamente em outro. Fora um troglodita que tentou começar uma briga num lugar de festa e levou uma bela direita no nariz e uma cervejada no quengo. Doeu até em mim.

Então, sigam o conselho para o ano que vem e esqueçam os sentimentos de confusão em casa. Carnaval é para festejar. Pular, cantar, dançar. Se for sentir dor, que seja pelo cansaço das pernas ou por um escorregão no chão molhado. Vale até pisão no pé. O negócio é relevar.