segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Disco furado

Numa conversa com amigos, tanto pessoalmente, como por meio do mundo virtual, fiquei com uma questão na cabeça: por que será que sempre temos uma música de furar disco nas nossas cabeças? É sempre alguma do momento, que será substituída por outra em questão de dias. E, muitas vezes, nem são as favoritas.

Tenho me deparado muito com esta questão e visualizo que todas estão ligadas às fases que venho passando. O engraçado é que têm músicas antigas que voltam e que você não consegue parar de ouvir. No máximo, você alterna com outras, mas ainda assim poucas. Não adianta ter também uma série de setlists ou CDs novos. Você sempre vai parar naquela.

Hoje me peguei voltando várias vezes para uma única música. Colocava na ordem aleatória, pois não queria ficar ouvindo a seguinte sempre. E também não queria ficar ouvindo a música ininterruptamente. Foi a solução.

Mas o medo de enjoar dela e ficar no “hall” das que não serão mais ouvidas faz com que você escute outras músicas. Deixa-se o setlist continuar. Daí você continua a ouvir as outras músicas que tanto te agradam, pois, do contrário, não estariam ali. Sua banda favorita continua firme e forte, mesmo não tendo a música do momento oportuno.

Acredito que isso aconteça com todos. Mas, em relação à minha pessoa, sempre fica engraçado, pois começo a compor as trilhas sonoras de minha vida. Pelo que já vi, perdi o número do volume que está hoje. Melhor começar a classificar por tomos. Tudo é novo de novo, como canta o Moska. Este, com certeza, faz parte dessa trilha inacabada e que não espero finalizar tão cedo.

Associar músicas às pessoas e às situações é o mais comum, pelo menos para este que aqui escreve e que, infelizmente, não entende muito o universo dos instrumentos e das batidas. Só sabe que gosta ou não.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Besouro ninja

Ginga para o louva-deus baiano

Indicado para a pré-lista brasileira dos filmes a concorrerem ao Oscar, Besouro, do diretor João Daniel Tikhomiroff, traz o mundo místico da capoeira em uma época de repressão à comunidade negra no Recôncavo Baiano, mesmo depois de anos da Abolição da Escravidão. O filme narra a história de Manuel (Aílton Carmo), batizado de Besouro nas rodas de capoeira, que tenta seguir os passos de seu mestre e livrar os negros da opressão e do coronelismo da cana de açúcar.

Com o misticismo dos orixás, Besouro tem o corpo fechado para lutar em prol da total liberdade, inclusive para a própria capoeira, que foi proibida por anos em nossa sociedade. Com a força de Exú, o personagem recebe até o dom de voar. Mas a rapidez e o gingado do herói não conseguem emplacar o filme.

Tecnicamente redondo e com uma bela produção, mas o fraco roteiro não convence. As atuações são regulares e inúmeros potenciais surgem. Destaque para o Coronel Venâncio (Flavio Rocha) e seu capanga Noca de Antônia (Irandhir Santos). Este brilhando mais uma vez, depois de seu show no filme Olhos Azuis, de José Joffily, onde vive um imigrante brasileiro tentando retornar para os Estados Unidos.

Fica difícil apontar o calcanhar de Aquiles de Besouro. Ou falta roteiro para uma boa história ou a história, apesar de interessante, não rende um bom roteiro. A fragmentação é tanta que chega a margem da chatice. Pode será até falta de costume com roteiros não lineares, mas as bruscas mudanças e os entrecortes das cenas fazem o espectador olhar para o relógio. E olhe que o filme é curto. Mas a culpa é do enredo, que tornou tudo cansativo.

Mas devemos reconhecer que a película foi muito bem produzida, dirigida e editada. Os efeitos visuais simples ajudam ainda mais. A edição rápida, mesmo quando é brusca a mudança do foco, e bem casada com a bela trilha sonora é outro ponto forte. O conjunto técnico de direção de arte com fotografia não deixa nada a desejar para muitos filmes hollywoodianos. O jogo das cores é fascinante.

Falta gingado no roteiro. Sobra presteza na técnica. E agora Besouro?


- Quero ser Besouro, porque é preto e avoa.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Epifanias

Sempre fui fascinado por epifanias. O mundo se revelando a partir de algo bobo e singelo. A simplicidade das coisas ajudando a compreender a complexidade do mundo. Uma palavra, uma imagem, um toque. Tudo se mostra. Não vou mentir que me assusto com ao perceber isso. Muitas vezes, você nota que algo que parecia estar finalizado ainda persiste.

O bom é que você consegue trabalhar os sentimentos a partir da revelação. Mesmo que só sirva para pedir que você enfrente-os e não tema mais, não fuja mais. Não faz mal continuar amando, detestando. O que você deve ter na sua consciência é que é natural a continuidade das coisas. Você pode até notar que não quer mais, mesmo que ainda continue a gostar, a sentir. O importante é se perceber e parar de negar.

No final, é sempre positivo, pois se saberá como trabalhar, como se portar. O medo de reencontrar, de dizer o que ainda se sente acaba. Tudo muda e você enxerga que está disposto e disponível para caminhar. Uma nova trilha? Porque não. O mesmo caminho com outra companhia? Porque não. Afinal, não há certo ou errado. O que vale a é a tentativa de continuar vivendo.

Li outro dia que a tentativa é o primeiro passo do fracasso. Mas devemos ter em mente que é também o primeiro passo do sucesso. Não devemos ter medo de pensar que as oportunidades que nos surgem são grandes de nós para a nossa capacidade. Se ela está ao nosso alcance é porque podemos. Basta saber trabalhá-la. Existem as enganosas, mas elas têm seus pontos positivos. E nos darão o discernimento para diferenciar os spams que a vida nos reserva. Diferenciar o que é realmente válido para o nosso crescimento.

E que surjam mais epifanias, seja por uma palavra, um comportamento alheio, como o do cego mascando chiclete e que mostrou todo um novo mundo para a moça do bonde em um conto da Clarice Lispector. Mas, diferente dela, utilize a revelação para mudar de vida e de atitude. Não retorne para o ponto anterior. Utilize no seu aprendizado de vida.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Falta de inspiração

Queria muito estar levando este blog mais a sério, com posts mais constantes e tal, mas tem sido difícil escrever. Vez ou outra vem a inspiração, mas estou longe do computador ou sem um pedaço de papel e uma caneta na mão. Pior que com várias coisas interessantes e legais para falar. Acho que por estar tão cheio de coisas por fazer que me falta o “tempo” para escrever. Teatro, cinema, chopp, amigos, jantares ... Enfim, ocupações.

Acho que a falta de outras coisas acabam por minguar a presença das musas inspiradoras que nos sopram poemas, músicas, prosas ou até mesmo um ato solitário de gritar. Ou mesmo uma fase, onde não conseguimos alinhar as ideias para um bom texto. De qualquer forma, temos que ter criatividade de produzir no trabalho, de fazer coisas legais. Daí vai diminuindo uma parcela para o livre escrever.

Cogitei fazer resenhas dos filmes que vi recentemente, até por estar rolando um dos maiores festivais de cinema no Brasil. Já vi muita coisa boa, como o brasileiro Olhos Azuis (apesar de ser quase todo em inglês) e com o argentino O segredo dos teus olhos (do Campanella, mesmo diretor de O filho da noiva, com a atuação do formidável Ricardo Darín). Vi outros ruins também, apesar do nome superinteressante. Nesse meio tempo, também rolaram peças de teatro, como Vestido de noiva, do texto do Nelson Rodrigues, e Nervo Craniano Zero, de um grupo de Curitiba (peça boa com pouco público).

Não falta o que fazer nesta cidade. Tanto que cheguei ao ponto de me incomodar por um dia estar indo para casa, sem nada para fazer após um dia de trabalho. E não era por estar só, até porque sai sozinho para alguns desses programas. Mas o incomodo de não ter mesmo o que fazer. Acho que me viciei em ter sempre atividades e já realizei que vai ser difícil largar esse osso. Pior que posso cair no: todo dia ele faz tudo sempre igual ....

Mas, com ou sem inspiração, fico feliz em ver as palavras fluindo e a mente me levando para outro universo. Bem, vento ventania me leve para as portas do céu ...

Engraçado é começar a escrever uma coisa e a palavra me remeter a outra que não tem nada a ver com o que estou escrevendo aqui. Exemplo, pensei na música do Biquíni Cavadão e já me veio o show da Céu que vai rolar aqui na próxima semana. Isso acontece muito na minha aula de inglês, onde escuto uma palavra que me remete a uma música. Por ai vai, tanto que me lembrei que o Mc Donald’s lançou uma época o jogo americano dele com algo de se falar uma palavra e sair fazendo associações. No final, melancia combinava com porta-retrato. Joguinho sem-noção.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Sarau

Saber que o amor só é amor quando é troca
E a troca só tem graça quando é de graça
Elisa Lucinda

Acredito que, no imaginário popular, a palavra sarau remete logo a poetas malandros que, regados a absinto ou a outro tipo de álcool, entoam suas poesias de memória, como os trovadores e menestréis da Idade Média faziam. Ou mesmo surge a ideia de um grupo de universitários que resolvem promovem um encontro com poemas, prosas e performances. O Aurélio traz três definições: 1- Festa noturna, em casa particular, clube ou teatro; 2- Concerto musical noturno; e 3- Festa literária noturna, especialmente em casas particulares.

Uma coisa é fato, poesia em prosa e prosa poética fazem parte do conjunto. Ver um grupo de pessoas, advindas de várias partes do país, idades diferentes, culturas diferentes, experiências mais que diferentes, reunido em uma sala que remetia a mais bela literatura, cujas anfitriãs proporcionaram momentos de êxtase para aqueles sedentos por cultura. Música, prosa, poema, poesia, trocadilhos, comidinhas, bebidinhas. Tudo na métrica perfeita dos poemas parnasianos.

A luz das velas e a iluminação indireta davam o clima perfeito, a atmosfera tranquila para quem quisesse se aventurar em ler, em declamar, em declarar seu amor e sua paixão aos grandes poetas. Não importasse fossem os mais conhecidos ou mesmo aqueles tímidos, que mostram suas linhas a poucos, que acham que não possuem o dom de versar.

Levantei com uma sensação incrível por ter compartilhado e vivenciado tal experiência única. Não que esta seja a última ao qual me aventurarei, mas foi ímpar. No próximo, que espero ansioso por sua brevidade, já não seremos os mesmos. Poderemos repetir as mesmas pessoas, o mesmo ambiente, a mesma tortinha que tanto fez sucesso, mas não poderemos mais repetir quem realmente somos. No aprendizado da vida, o ser humano transmuta continuamente. Aprende, absorve, questiona, realiza.

Inúmeras ideias vieram à mente enquanto a água morna banhava o corpo. Parecia que estava envolto pelas musas, que inspiravam. Vontade de sair dali e pegar o papel para escrever o que vinha à mente. Deixar para depois nunca é bom. A inspiração é como a oportunidade: passageira. Na próxima: anotar no que estiver ao alcance das mãos, mesmo que tremulas ou úmidas.

Com todos os Carlos, Elisas, Fernandos, Clarices, Sergivais, Lauros, Marcos, Joãos, Pedros, Luis, Mários, Marisas, poetas concretos e aventureiros, uma bagunça no quarto, um coração a rifar, o medo, as músicas, as emboladas, o sorriso de se estar em algo mágico. Este sim foi o grande convidado na noite, por mais que os versos e linhas nos levassem a momentos tristes, logo ele estava de volta, firme e forte. Era visível até no olhar, que iluminado pela luz das velas, refestelava-se na poesia que tomou conta do ambiente e da alma de todos.

domingo, 13 de setembro de 2009

Síndrome dominical

Outro dia, conversa com um amigo que várias de nossas questões pessoais ressurgiam sempre no início da noite dos domingos. Coincidência? Acreditamos que não. Na verdade é uma síndrome. Síndrome do Domingo a Noite. Todas as carências, mazelas e afins se manifestam ao escurecer do dia do descanso. É saber que o final de semana nem foi tão produtivo assim e que a semana já vai começar sem grandes resultados. Não importa se vai ter uma super-hiper-mega-master-ultra semana. A questão é no caráter pessoal. Na intimidade do ser.

Saber que não há um ombro para enconstar no sofá e ver TV ou um filme em DVD. É ir ao cinema sozinho e ver a fila de casais comprando o ingresso para a mesma sessão que você. É ver amigos planejando passar na casa dos pais do(a) namorado(a). É sentir inveja (branca) de estar sozinho. Quando isso acontece, nada te interessa: livro, filme, TV, nada. A paciência para certas coisas se esgota. Você simplesmente não sabe o que fazer.

Uma coisa é certo: nem todos os domingos são assim. Mas, quando aquele incômodo de não sei o que é começar no domingo a tarde, prepare-se. Mas uma crise chegando. E não desconte em comida. Resista à tentação das guloseimas. O melhor é tentar encontrar algum amigo, isso se estiver a fim de ver alguém, porque até nisso a síndrome ataca.

Mas não se preocupem, na segunda-feira, tudo já passou. E mais uma semana começará. E com mais um domingo no porvir.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Terra: um organismo vivo?

Faz algum tempo que venho pensando na pergunta acima. Não sei se alguém já escreveu algo sobre e não pesquisei no Google. Mas sempre me indaguei se a Terra poderia ser considerada um organismo vivo e nós, os seres humanos, seríamos algum tipo de bactéria ou vírus. Quem sabe até mesmo uma célula cancerígena. Nunca perdi meu sono com relação a isso, mas resolvi escrever e ver se esta teoria tem certo fundamento. Lembrem-se que aqui é um leigo (e maluco?) quem está escrevendo.

Nem sei ao certo por onde começá-la, mas creio que o melhor seria comparar mesmo a um organismo vivo, com seus órgãos e reações frente às intempéries da vida. Não teria uma cabeça, cérebro ou algo do gênero mais definido, até por estarmos sujeitos à influências externas, como o sol e sua radiação térmico-luminosa, a lua e sua gravidade (que também recebemos de outros astros) e as outras energias e eventos cósmicos.

Na verdade, o que me levou mais a escrever este texto foi ver o mal que estamos fazendo à Terra e se as catástrofes naturais não seriam uma resposta do “organismo” contra às “bactérias”. Elas seriam como os anticorpos tentando evitar um mal maior. E devido à nossa poluição, ela estaria com febre (o efeito estuda), demonstrando estar infectada. Não sei para vocês, mas esta maluca teoria faz um sentido na minha cabeça.

Temos diferentes reações a infecções, sejam virais ou bacterianas. A Terra também teria. Seria uma tentativa de eliminar o que vem crescendo e incomodando ao longo dos anos. Assim como precisamos de certas bactérias em nosso organismo, o planeta também precisa. Porém, quando alguma começa a tomar grandes proporções, elas causam problemas e seguimos para o autocontrole da “praga”.

É meio difícil construir essa teoria apenas baseado em certas observações e sem conhecimento técnico de áreas biológicas. Também sem muita leitura. Mas a mensagem mesmo deste texto é atentarmos para os problemas que estamos causando ao planeta e as consequências que trazemos inclusive para a nossa própria sobrevivência. Coisas básicas e simples para ajudarmos o ambiente já valem e vão se refletir mais à frente. Que vivamos bem o presente, mas sabendo que ele é intangível e que precisamos mesmo garantir o futuro, para que ele venha e viva-se um bom presente.